Aos prantos lendo um livro e outras leituras de janeiro até aqui
Michelle Zauner e Raphael Montes, vocês me pagam!
Pra ler ouvindo:
Todo ano eu tenho uma única meta literária que é ler, pelo menos, um livro por mês. Tenho falhado miseravelmente - e tá tudo bem com isso -, mas esse ano acho que estou dando conta. Pra me ajudar, decidi escrever sobre as leituras do primeiro semestre nessa edição da newsletter, falando o que achei de cada um e indicando pra vocês, 5 pessoas que me leem.
Será que até dezembro eu me mantenho assim? Vamos orar!!!
Janeiro: Boa garota, nunca mais
Odeio começar o ano com pendências do ano anterior, mas não teve jeito. Entrei em 2025 terminando a trilogia Manual de Assassinato para Boas Garotas (eu chamo de trilogia, porque tem um 4º livro que é um prólogo, mas não acrescenta em nada na história, é um livro bobo, tem praticamente 20 páginas, eu gastei meu dinheiro totalmente à toa!!!).
Eu fico tão triste quando uma trilogia/saga começa tão bem e termina tão mal… O primeiro livro foi perfeito (não vejam a série da Netflix, não chega aos pés), o segundo teve uma história interessante, mas já deixou aquele “Precisava de continuação?” durante a leitura.
No terceiro, Pip, a protagonista, sai de detetive à DOUTORA em assassinatos, resolvendo tudo com uma inteligência descomunal. Sim, a gente precisa voar e ficção é ficção, mas sei lá… faltou coerência.
A trilogia Bill Hodges do Stephen King sofreu do mesmo mal e desde então não li mais nada dele, mas vou voltar a ler o divo em breve. Não agora, um dia.
Fevereiro: Honey
Eu li esse livro para uma parceria entre o Musicult e a editora Faro e falei mais sobre a história no site. Não vou me alongar sobre ele, porque falei tudo lá (leia aqui), mas descobri que a chamada “literatura hot” realmente não é pra mim (eu não sabia que ele tinha tantas cenas de sexo, e eu não sou aquelas chatas puritanas que reclamam de cenas de sexo em filmes, séries e tudo mais… eu só realmente não vejo graça em LER sexo, mas respeito quem goste).
Março: Vou te receitar um gato
Ganhei esse livro da minha prima quando fui cuidar da gatinha dela por uma semana. Eu já estava curiosa sobre o que o povo chama de “literatura de cura” (um nome fofo e moderninho para autoajuda? Não sei…), então decidi passar na frente dos que estavam na estante e fui ler. Adorei, achei muito fofo, especialmente agora que eu sou uma mãe de gato. Sou completamente apaixonada pelo meu gatinho e acho que ele foi uma parte muito importante da minha adaptação em uma nova casa, uma nova rotina, uma nova vida, enfim… sou de Humanas, sou pisciana, então sou aquela pessoa que busca significado em tudo na vida, inclusive em adotar um gato folgado que apareceu logo que me mudei pra casa do meu marido - e que fugiu inúmeras vezes.
O livro também termina de uma forma meio mística/espiritual, então, pelas razões que acabei de citar, é óbvio que gostei e fiquei emocionada. Até emprestei pra minha vó. Se você gosta de gatos e é de Humanas, leia.
Segue foto do meu filho com o livro:
(Ah, deixando claro que cachorros ainda são melhores!!)
Abril: Carmilla e Aos prantos no mercado
Tudo começou quando eu fui ouvir o novo álbum da Michelle Zauner a.k.a Japanese Breakfast, que me chamou a atenção desde o título: For Melancholy Brunettes(& sad women). Eu já conhecia e gostava um pouco de Japanese Breakfast e até tentei ver o show dela inteiro dela no Primavera Sound 2022 (eternamente em nossos corações indies), mas a fome e a quantidade de árvores na frente do palco me fizeram sair do show e ir comer alguma coisa. Ao mesmo tempo que me arrependo, não me culpo tanto, porque nenhum dos álbuns anteriores tinha tido tanta influência em mim quanto o For Melancholy… agora eu ouvi tudo de novo e eles soaram melhores do que quando ouvi pela primeira vez.
Mas esse texto não é sobre discos e sim sobre livros e esse texto existe em boa parte por causa desse livro, EU QUERIA MUITO FALAR SOBRE ELE!!!! Basicamente, eu fiquei obcecada com o novo disco dela, decidi ler o livro e chorei por um mês e meio. Eu demorei muito pra conseguir terminar, afinal o livro é sobre luto. É um livro de memórias que ela escreveu depois da morte da mãe, que faleceu de câncer aos 45 anos, então durante minha TPM eu não podia ler.
Durante o livro, mais do que mostrar as muitas fases com que lidamos com a perda de alguém, Michelle confronta o passado, mostrando a relação problemática com a mãe desde a infância, que se agravou na adolescência. Ela também explica o título do livro quando relembra que a comida era a linguagem de afeto de sua mãe e também uma forma de conectá-las às raízes coreanas da família, e percebe, adulta, que o fato de não ter ninguém parecido com ela na adolescência nos Estados Unidos, além da sua mãe, também foi um fator traumático e que dificultou a relação das duas naquele período.
É um livro que desperta muitos sentimentos e que, talvez, eu não devesse ter lido agora. OU FOI EXATAMENTE O MOMENTO CERTO? Não sei. Eu estou totalmente na crise dos 30 (achei que tivesse passado pela crise dos 30 aos 28, mas era só pandemia mesmo, a crise chegou agora!!!) e repensando minhas relações com as pessoas (e bichinhos) que eu amo - como estar presente mesmo sem tanto tempo disponível, como manter amizades etc., como ser uma boa amiga, boa filha, boa esposa, boa mãe de pet hihihi, boa neta etc. - e, infelizmente, pensando mais do que gostaria na finitude da vida por conta da morte repentina do meu primo há 2 anos e a minha vó ter ficado doente do ano passado pra cá.
Sei que o livro da Michelle é bem pessoal por ser um livro de memórias e dizer que fiquei afetada pensando na minha vida soa muito como “girl, você tá pensando demais sobre você!”, mas, ao mesmo tempo, é impossível não criar uma relação de afeto e de aproximação e não relacionarmos nossa própria vida com uma leitura tão sentimental (todo mundo concorda que a adolescência é a pior parte da nossa vida e que a gente passa a entender melhor os pais quando passamos dos 25, né?).
Enfim, eu poderia falar mais sobre esse livro, mas isso me levaria a chorar mais, então paro por aqui.
Como eu disse ali em cima, eu li Carmilla também, leiturinha rápida de um clássico sobre vampiras lésbicas. Amei. Até agora, único clássico do ano, pois tentei ler Cem Anos de Solidão entre dezembro e janeiro e não consegui. Talvez eu seja meio burra, o livro seja chato (pra mim, ok??!!), ou eu não estou num bom momento pra ler clássicos, pois estou totalmente lelé da cabeça!!!!!
Junho: Casas Estranhas
Usando a linguagem dos marketeiros, esse livro é um excelente CASE de marketing, sendo a propaganda melhor que o produto. Eu vi os posts de divulgação no Instagram da Intrínseca sobre esse livro e fiquei maluca querendo ler. Deixei esse livro no carrinho da Amazon até o preço estar aceitável e comprei. Assim que ele chegou, eu passei ele na frente de tudo e li. E foi isso. É um livro que existe. É ruim? Não… mas é bom? Também não muito… o famoso “meh”.
Julho: Dias Perfeitos
Se teve livro dessa lista que eu levei quase dois meses pra terminar, esse aqui levei duas semanas (e poderia ter levado menos!!). Não sei se vocês já tiveram esse sentimento por alguém, mas eu queria MORAR no cérebro do Raphael Montes. Todo livro dele me deixa obcecada (não é à toa que o homem é um sucesso, ocupando quase todos os postos do top 10 de mais vendidos da Cia. das Letras).
Eu já li “O Vilarejo”, “Bom dia, Verônica”, “Jantar Secreto” e “Uma Família Feliz”. Com exceção do primeiro, que é um livro de contos, todos os outros me deixaram maluca, por mais que não fossem livros pequenos, eu terminei de ler muito rápido, perdi horas de sono lendo só mais um capítulo e depois outro e depois outro…
Esse ano eu deixei os livros dele no Kindle pra ler futuramente e até então tudo o que eu tinha consumido dele era a novela Beleza Fatal - eu sou tão fã que assinei mais um streaming só pra isso!! - e é claro que a novela foi perfeita do início ao fim. Espero que um dia a Globo o contrate para um próximo remake (leia a última edição dessa newsletter e você vai entender).
Esses dias vi no instagram do Raphael que em agosto a série de Dias Perfeitos irá estrear no globoplay, então decidi ler o livro antes da série, terminei em duas semanas, fiquei EXTREMAMENTE PUTA INDIGNADA INJURIADA COM ÓDIO do final (não vou falar mais pra não dar spoilers porque quero muito, de verdade, que vocês leiam esse livro ou vejam essa série!), mas, mesmo assim, talvez, a minha próxima leitura também seja um livro dele… não sei, na verdade, pois também queria ler algo mais leve, com mais cara de novelinha das 7. Enfim, me indiquem livros nos comentários.
Percebi com a newsletter que minha meta, até o mês de julho, foi alcançada, então talvez esse ano eu consiga deixar a meta aberta e dobrar a meta*. Vamos ver… Em dezembro volto com esse tema e as leituras de fim de ano.
*Quero deixar claro que só tenho essa meta porque foi uma forma que funcionou pra mim, pra me autoincentivar a ler mais e sair um pouco do tiktok e do candycrush. Não estou falando pra vocês lerem um livro por mês ou mais.
Não crie metas irreais e nem siga aquela galera do instagram ou do tiktok que fica mostrando LI 50 LIVROS EM UM MÊS, porque eles não leem nada - ou se leem, vamos combinar, são bem desocupados, né, pqp o que esse povo faz das 8h às 18h?
Leitura é diversão, relaxamento e tempo de qualidade e não quantidade e metas absurdas, ok?
É isso, gente. Ouçam Japanese Breakfast, leiam Michelle Zauner, leiam Raphael Montes, assistam Beleza Fatal, pintem bobbie goods, adotem gatos e cachorros, sejam felizes!!!
Beijos da Lets e até a próxima newsletter.







Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Ótimas dicas de leitura! 😍